Post
Pré-campanha de 2026: o que precisa estar pronto antes de agosto
As Eleições 2026 chegaram a uma virada importante. Entre 20 de julho e 5 de agosto, partidos e federações realizam suas convenções para escolher candidaturas e deliberar sobre coligações. Os pedidos de registro devem ser apresentados até as 19h de 15 de agosto. A propaganda eleitoral começa no dia 16, e o primeiro turno será realizado em 4 de outubro.
As datas estão previstas na Resolução nº 23.760/2026, que estabelece o calendário oficial das eleições.
No calendário, a campanha começa em agosto. Para a comunicação, começa antes.
É durante a pré-campanha que uma equipe consegue observar o que funciona, corrigir o que está disperso e decidir que parte da trajetória do candidato precisa chegar ao público. Depois, com a propaganda liberada, a agenda aperta. Entram os adversários, os acontecimentos do dia e a cobrança por respostas rápidas.
Descobrir a identidade da candidatura no meio disso costuma custar tempo e dinheiro. Também aumenta a chance de cada publicação apresentar uma versão diferente do candidato.
A história que a equipe conhece não é a que o eleitor recebe
Quem trabalha dentro de uma candidatura conhece a história inteira. Sabe o que foi feito em cada mandato, lembra das articulações difíceis, acompanha os projetos e entende por que determinada pauta ganhou importância.
O eleitor vê pedaços.
Ele pode encontrar um vídeo de 30 segundos no Instagram, uma entrevista cortada, uma fotografia de agenda ou uma frase compartilhada por outra pessoa. Em muitos casos, será a partir desses contatos rápidos que formará uma opinião sobre experiência, preparo e personalidade.
Por isso, uma trajetória longa não se transforma automaticamente em reconhecimento. É preciso fazer escolhas.
Quais partes dessa história ajudam a explicar a candidatura de agora? Que realizações conversam com os problemas que o eleitor está vivendo? Que característica precisa aparecer mais: capacidade de gestão, proximidade, firmeza, renovação ou conhecimento técnico?
Não dá para responder tudo ao mesmo tempo.
Uma comunicação que tenta apresentar dez qualidades em uma semana termina sem fixar nenhuma. O candidato aparece como gestor na segunda-feira, defensor de uma causa na terça, personagem descontraído na quarta e liderança institucional na quinta.
Cada conteúdo pode funcionar sozinho. O conjunto parece montado por equipes diferentes.
A pré-campanha serve para perceber esse tipo de ruído enquanto ainda existe espaço para ajuste. A equipe pode testar abordagens, observar a reação do público e entender quais elementos da trajetória realmente ajudam a explicar aquela candidatura.
Antes da planilha, vem a escolha
É comum o planejamento começar com um calendário de publicações. Segunda tem vídeo curto, terça tem carrossel, quarta tem agenda, quinta tem corte de entrevista.
A planilha fica cheia. A estratégia, nem sempre.
O ponto de partida deveria ser outro: que lugar essa candidatura quer ocupar na cabeça das pessoas?
Essa resposta não nasce de uma frase bonita criada em reunião. Ela vem da leitura do cenário, do histórico do candidato, dos públicos que precisam ser alcançados e das vulnerabilidades que já existem.
Também depende de uma conversa franca.
Há candidaturas que querem parecer novas, mas carregam décadas de vida pública. Outras tentam construir autoridade sem mostrar trabalho concreto. Há quem queira falar com todo mundo e, por isso, não consiga conversar de verdade com ninguém.
Posicionamento é escolha. Significa definir o que deve ganhar espaço e aceitar que alguns temas, formatos e oportunidades ficarão de fora.
Depois dessa definição, o calendário começa a fazer sentido. A equipe consegue decidir quais agendas merecem maior cobertura, que assuntos precisam de aprofundamento e quais passagens da trajetória devem ser recuperadas.
Também fica mais fácil avaliar as oportunidades que surgem no dia a dia. Nem todo compromisso precisa virar postagem. Nem toda tendência precisa ser aproveitada. Às vezes, deixar uma pauta passar é uma decisão melhor do que produzir mais um conteúdo sem relação com o que está sendo construído.
O que a rua entrega
A agenda presencial continua sendo uma das melhores fontes de conteúdo político. É ali que aparecem os problemas concretos, as histórias locais e as pessoas que dão rosto a uma pauta.
Mas existe uma diferença grande entre cobrir uma agenda e contar o que aconteceu nela.
Uma sequência de apertos de mão mostra que o candidato esteve em determinado lugar. Não explica o que ele ouviu, por que aquela visita foi feita ou o que aquela conversa revela sobre o território.
Quando a equipe chega à rua sabendo o que procura, o material muda.
Uma visita a uma associação pode revelar um problema que ainda não ganhou atenção. Uma conversa com comerciantes pode recuperar uma entrega anterior ou ajudar a explicar uma proposta. Um encontro com uma liderança local pode mostrar vínculo, desde que essa relação seja real e tenha contexto.
Isso exige preparação antes de ligar a câmera.
Quem estará no local? Qual é o assunto central? Há alguém que vale ouvir? Que imagem ajuda a situar a história? O candidato tem algo novo a dizer ou a agenda será apenas protocolar?
Sem essas respostas, a cobertura tende a repetir o padrão mais comum da comunicação política: candidato chegando, candidato andando, candidato cumprimentando e candidato indo embora.
O problema não está na falta de imagens. Está na falta de informação que ajude o público a entender aquela presença.
As redes sociais também podem orientar o trabalho na rua. Perguntas recorrentes, comentários e reações mostram temas que ainda precisam ser explicados. Uma dúvida percebida no digital pode virar uma entrevista, uma nova agenda ou uma conversa com quem vive o problema.
Rua e rede cumprem funções diferentes, mas precisam conversar.
Produzir imagem é decidir o que fica
Nas eleições presidenciais de 2018 e 2022, pesquisadores analisaram 11.263 publicações feitas no Instagram por 19 candidatos brasileiros. O estudo encontrou forte presença de imagens positivas e personalizadas, com políticos retratados próximos dos eleitores e em situações que reforçavam conexão emocional.
Em duas eleições presidenciais, 19 candidatos publicaram 11.263 conteúdos no Instagram — um retrato do espaço que a construção visual passou a ocupar nas campanhas brasileiras.
O dado ajuda a dimensionar a importância da imagem, mas também expõe um problema. Quando todos tentam parecer próximos, espontâneos e acessíveis, as publicações começam a se parecer.
É nesse ponto que o audiovisual precisa ir além da cobertura.
Uma câmera pode registrar a chegada do candidato a uma feira. Também pode acompanhar a conversa com uma trabalhadora que conhece aquele território há 30 anos, mostrar o problema citado por ela e registrar a resposta do candidato sem transformar tudo em pose.
As duas opções foram gravadas no mesmo lugar. Só uma explica por que a agenda aconteceu.
O enquadramento, o som e a edição interferem nessa leitura. Uma fala pode parecer distante porque foi gravada de qualquer maneira. Uma agenda movimentada pode virar um vídeo sem ritmo. Um momento genuíno pode desaparecer porque a equipe estava preocupada apenas em cumprir o formato previsto na planilha.
Por isso, o audiovisual precisa entrar na conversa antes da agenda.
A equipe deve saber qual é o objetivo do conteúdo, quem estará envolvido e o que precisa ser compreendido por quem assistir. Depois disso vêm as decisões de formato, captação e edição.
A pré-campanha também é o momento adequado para construir um acervo que possa ser usado nos meses seguintes. Entrevistas de trajetória, imagens dos territórios, registros de trabalho e materiais explicativos poupam tempo quando a campanha entra em um ritmo mais intenso.
Esse acervo não precisa ser enorme. Precisa estar bem organizado e ter ligação com o posicionamento definido pela equipe.
Cada assunto pede um formato
Existe uma pressão constante para transformar tudo em vídeo curto. Em alguns casos, funciona. Em outros, o conteúdo perde justamente o que tinha de interessante.
Uma posição objetiva pode caber em 30 segundos. Uma história de trajetória talvez precise de mais tempo. Uma proposta técnica pode funcionar melhor quando parte de um caso concreto, em vez de ser apresentada pelo candidato diante de uma parede.
O formato deve nascer do assunto.
Isso parece básico, mas muitas equipes fazem o caminho inverso: primeiro decidem que precisam de um Reels, um podcast ou um documentário; depois procuram qualquer pauta que caiba ali.
O resultado pode ser tecnicamente bom e ainda assim não ter função dentro da campanha.
Vídeos curtos ajudam a responder perguntas e apresentar posições diretas. Uma entrevista permite desenvolver raciocínio. Uma produção documental aproxima o público de pessoas e territórios relacionados à pauta.
Nenhum formato resolve tudo.
A mesma cautela vale para influenciadores e outras parcerias. Alcance, sozinho, diz pouco. É preciso olhar para a relação daquela pessoa com o público, seu histórico e o tipo de associação que será criado.
Uma audiência grande pode entregar visualizações. Isso não significa que entregará confiança ou ajudará o candidato a ocupar o espaço desejado.
O ritmo de agosto começa a ser preparado agora
Quando a propaganda eleitoral for liberada, as decisões vão precisar acontecer mais rápido. Um assunto pode surgir pela manhã e exigir resposta antes do fim do dia. A agenda muda. Um adversário fala. Um vídeo repercute. A equipe precisa decidir se entra no debate ou deixa passar.
Sem processo, toda urgência vira reunião.
É importante saber quem recebe a informação, quem define a abordagem, quem produz e quem aprova. A análise jurídica também precisa fazer parte desse caminho, principalmente em um período com regras específicas para a pré-campanha.
Antes de 16 de agosto, a legislação permite mencionar uma possível candidatura, apresentar ideias, divulgar posicionamentos políticos e exaltar qualidades pessoais, desde que não haja pedido explícito de voto. O impulsionamento durante a pré-campanha também deve seguir as regras eleitorais aplicáveis.
A revisão jurídica feita apenas no final costuma gerar retrabalho. O roteiro volta, o vídeo precisa ser reeditado e a publicação perde o momento.
Quando a equipe de criação conhece os limites desde o começo, consegue desenvolver soluções adequadas sem depender de correções de última hora.
Também é preciso criar critérios para as respostas rápidas. Nem toda crítica exige reação. Nem toda repercussão precisa ser aproveitada. Entrar em um assunto sem avaliar seu efeito pode dar mais alcance ao adversário ou deslocar a candidatura para uma discussão que não interessa ao público.
Velocidade ajuda quando existe direção. Sem ela, a equipe apenas toma decisões ruins mais depressa.
O que precisa chegar pronto à campanha
Agosto não deveria ser o mês em que a equipe começa a descobrir qual é o posicionamento do candidato, que linguagem funciona ou que tipo de imagem deseja construir.
Essas respostas precisam estar encaminhadas agora.
Isso não significa engessar a campanha. O cenário muda e a comunicação precisa acompanhar. A diferença é que uma equipe com uma linha definida consegue adaptar a mensagem sem apresentar um candidato diferente a cada nova pauta.
Quando o período oficial começar, haverá mais conteúdo circulando e menos atenção disponível. As candidaturas que já tiverem uma imagem reconhecível poderão usar esse tempo para apresentar propostas, responder aos acontecimentos e ampliar sua presença.
Quem chegar sem esse trabalho feito precisará disputar atenção enquanto ainda tenta organizar a própria comunicação.
A comunicação da sua campanha está pronta para agosto?
A 50mm trabalha com estratégia e produção audiovisual para transformar trajetória política, agenda de rua e posicionamento em conteúdo que faça sentido para o público.
O trabalho começa antes da câmera. Passa pela leitura do cenário, pela definição do que precisa ser contado e pela escolha da melhor forma de mostrar isso.
Converse com a equipe da 50mm sobre a comunicação da sua campanha de 2026.
Acompanhe também a @50mmfilmes_ no Instagram.
